sexta-feira, 11 de abril de 2008

My love goes undeclared

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Pergunto-me como um projecto tão estanque nas suas fronteiras se pode mostrar tão contagiante, revelando uma tal capacidade para nos contorcer, coagindo-nos a mecânicos movimentos que, apenas por embaraço, não são mais que indiferentes e imperceptíveis para quem ao nosso lado segue viagem, também ela imersa no que o seu iPod esconde. A compulsiva necessidade de batermos com as solas no chão à medida que a percussão de Logan Kroeber dá lugar à voz de Meric Long, logo nos primeiros instantes de Fools, revela-me que aquele outro iPod não esconde os The Dodos. Mas será que nesta carruagem alguém os escuta? Apenas algumas conversas interrompem o cúmplice silêncio dos passageiros à minha volta. Ninguém denuncia Ashley num disfarçado olhar melancólico, ninguém se permite bater com o indicador na dura capa de um livro ao som de Jodi. Apenas o ritmo do próprio comboio parece uma extensão daquele outro que encontramos na bateria de Kroeber as passarmos por The season. É uma longa viagem a de Visiter. Não uma jornada espiritual como num filme de Wes Anderson. Este comboio não ostenta cores e especiarias. Vive de sobressaltos e do repentismo de dois autores, que encontraram na estrada a intensidade que mais tarde carrearam para o estúdio. Ao longo do caminho a voz de Meric surge próxima e autêntica, denunciando um passado distante que permanece ancorado na sua memória. Existe algo de tremendamente honesto nas suas vocalizações, que nos embalam e de imediato nos agitam. Um passado contido e irrequieto. Algo que tentamos reprimir como os movimentos que nos assaltam. Imperceptíveis aos restantes olhos que se fixam na chegada...



(Um abraço ao Rui Oliveira que marcou presença no Metro conduzido pelos The Dodos. Em breve sob escuta no nosso Podcast)

Pedro Sousa

1 comentário:

Rui Oliveira disse...

Foi um prazer poder participar neste grande Metro. Um grande abraço e viva aos Dodos, que são grandes