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sábado, 1 de março de 2008

Pretextos fúteis para mais uns quantos dias úteis

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Quinze anos passados desde a edição de Slanted and enchanted, um verdadeiro marco no vasto território indie, muito parece ter mudado na vida de Stephen Malkmus. Após os últimos batimentos dos Pavement por volta da viragem do século, o carismático vocalista e letrista do projecto californiano mudou-se de malas e bagagens para a menos solarenga cidade de Portland. Hoje, ao assumir responsabilidades paternais, Stephen leva uma vida bem mais calma do que aquela que levou ao longo da década de 90; o que não significa que se tenha desligado da sua vocação artística. Desde que se mudou para Portland já editou quatro trabalhos, aproveitando também o facto de esta cidade estar assinalada no mapa como um daqueles geisers em permanente ebulição artística. Nela formou os The Jicks, um quarteto que conta ainda com Joanna Bolme, Mike Clark e a baterista Janet Weiss (ex-Sleater Kinney), nunca tendo desta forma abraçado uma carreira verdadeiramente a solo. Embora nesta sua segunda vida os The Jicks possam ser vistos como meros músicos de estúdio que não interferem no processo criativo de Stephen, em recentes entrevistas tem este reafirmado que se trata de um projecto sólido e envolvente. Para que este projecto se tornasse uma realidade, muito contribuiu a recente exclusividade de Janet Weiss, que parece ter deixado para trás, e em definitivo, outros projectos paralelos.



O resultado de semanas divididas entre um estúdio em Montana e a casa do singer songwriter Jeff Tweedy em Brooklyn intitula-se Real emotional trash. O legado dos Pavement permanece intocável, seja na assunção de um riff de guitarra quando o esperamos, ou na forma como Stephen imprime a cada verso uma vocalização que, ainda hoje, é imediatamente identificável como sendo sua. As suas capacidades enquanto letrista mantêm a estranheza e a complexidade que lhe renderam um verdadeiro culto (na contagiante faixa Wicked Wanda canta "Wicked wicked Wanda / She's not so good to go out / I'd rather go out with Rwanda).



Ao escutarmos Real emotional trash recordamos a cumplicidade criativa que aproximava os Pavement e os Sonic Youth, percorremos o imaginário de Stephen Malkmus enquanto cronista urbano, possuidor de um fino recorte de ironia, revisitamos o legado dos Kinks (de forma indisfarçável em We can't help you e Gardenia) e matamos saudades de Crooked rain, crooked rain, que ainda hoje alguns de nós escutam regularmente, como se de um troféu se tratasse. Go back to those gold sounds...



De assinalar ainda a curta passagem pelo EP Light works, o mais recente trabalho dos Aloha, projecto oriundo de Brooklyn, NY, que curiosamente, após a edição de dois álbuns, convoca as atenções da imprensa norte americana com este EP de seis faixas. O que à partida pretendia ser apenas um "aquecimento" para a gravação de um futuro longa duração, acabou por render aos Aloha o reconhecimento da imprensa e muitos mais olhares atentos por parte daqueles que até esta data ainda não seguiam os seus trabalhos. O indie rock algo etéreo de temas como Broken light, na qual a percussão e a voz de Tony Cavallario predominam, elevam as expectativas em relação ao próximo álbum destes nova iorquinos.

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Deixando o capítulo norte americano para trás, regressámos na última semana à Europa. A Carla já me tinha garantido que o novo álbum de Goldfrapp era diferente dos anteriores, porém confesso que não esperava que fosse tão despojado e surpreendente. A voz de Alison surge-nos doce e pastoral. As composições tingidas pelo imaginário de Nick Drake e Syd Barrett, nomes maiores e tantas vezes repetidos, quando se trata da tradição folk britânica. Os elementos electrónicos apenas pontuam cada faixa, de uma forma secundária e ostensivamente despercebida, capturando cenários como aquele que ilustra este texto. Longe vão os tempos das vocalizações épicas e límpidas que encontrávamos em Felt mountain; mais estranho, face ao presente, as sucessivas incurdões por uma electrónica dançável. O resultado de Seventh tree radica nas melodias pop de Caravan girl, em refrões que se repetem como o de Happiness, e em Clowns, uma faixa destinada aos primeiros raios de sol...



Raios de sol que mais dificilmente chegam a Gotemburgo, cidade que, tal como Portland, se destaca pela sua efervescência artística. A partir da qual dois nomes têm lançado blitzes nos últimos tempos, recolhendo cada vez mais militantes para uma causa cujo objectivo maior é a perfeição pop: Jens Lekman e El Perro del Mar. O primeiro capitaliza hoje, por território norte americano, os efeitos de Night falls over Kortedalla, enquanto que Sarah Assbring acaba de editar o seu segundo longa duração: From the valley to the stars.



Um segundo trabalho em que a jovem autora sueca procura soluções para as suas composições que pareciam demasiado reféns do carácter mimético e repetitivo do primeiro álbum. A estrutura das suas faixas parte sempre da repetição de uma melodia e da palavra, e da exploração da sua voz, num tom melancólico e por vezes distante. Em From the valley to the stars nada disto se perde, contudo Sarah introduz não só instrumentos que nos remetem para uma atmosfera menos fria do que aquela que percorria Look! It's El Perro del Mar, como confere a algumas das faixas uma marca quase religiosa, pela forma como utiliza orgãos de igreja e coros da mesma natureza (presentes em Happiness won me over). Trata-se de uma fuga possível face ao curto perímetro que a estrutura das suas composições lhe oferece, restando ainda espaço para faixas como Somebody's baby, puro exercício pop que parece ter transitado das sessões do seu trabalho anterior, ou Inside the golden egg, deliciosa peça instrumental remanescente da década de 40, devendo bastante aos pequenos exercícios de Damon Albarn, que encontrávamos nos primeiros álbuns dos Blur. E se em palco, Sarah se apresentava tendo o auxílio de samples e de apenas dois músicos (e recordo-me de um concerto abusivamente barulhento no Imago há dois anos), afigura-se curioso o formato que terá em mente de modo a transportar para o palco esta marca de maior sobriedade, e por vezes complexidade, que incorpora From the valley to the stars.

PS: Entre estas duas viagens do Metro de Quarta-feira, uma terceira contou com a presença da Inês Patrão que, pela segunda vez, acompanhou a Carla num programa em que se destacaram os álbuns do projecto The Do e de Chris Walla. Encontram a setlist deste programa num post que a Inês aqui colocou. Aproveitamos pois para agradecer à Inês, assim como à Sara Mendes, pelas substituições de última hora, face a imprevistos que não são nada indie.



quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Metro: quarta.20.fevereiro.2008



Chris Walla: Field Manual
"Two-Fifty"
"The Score"
"Geometric & C."
"It's Unsustainable"
download mp3: "Sing Again"






The : A Mouthful
"Playground Hustle"
"Tammie"
"Stay (Just a Little Bit More)"



Por Carla Lopes e Inês Patrão

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Atrás do trio eléctrico

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Os primeiros momentos de Devotion despertam-nos, ou não fosse Wedding bell uma faixa de rara beleza. A voz de Victoria Legrand surge-nos luminosa, marcada por uma dolente melancolia, por um etéreo afastamento, como que nos levando pela mão através de um salão de dança vazio, cujos limites se perdem de vista. A atmosfera dos Beach House é brumosa, fantasmagórica até, construindo todo um imaginário sobre as vocalizações de Victoria e linhas de sintetizadores de um passado distante. Tal como as Au revoir Simone, raramente recorrem a outros elementos que não aqueles que encontram num conjunto de teclas, com uma singular excepção no caso dos Beach House: a forma como Alex Scally pontua cada uma das composições com efeitos de guitarra. Devotion é um passo em frente, maturo e consequente, que encontra em faixas como D.A.R.L.I.N.G. ou Heart of chambers a expressão da elegância que perdura ao longo de todo o álbum.



Os The Ruby Suns são um projecto oriundo da Nova Zelândia. Este simples facto já lhes confere singularidade, mas se acrescentarmos que o seu principal compositor, um rapaz de nome Ryan McPhun, viveu até há bem pouco tempo na Califórnia, de onde partiu para uma viagem que o levou até Auckland, passando ainda pelo Quénia, então começamos a descortinar o melting pot que representa este projecto. Se quisermos, a passagem de Devotion para este Sea lion representa uma transferência de cores, o aparecimento do sol ditando a oclusão dos últimos dias de Inverno. Se a atmosfera dos Beach House era brumosa, a dos The Ruby Suns é efervescente e solar. O cruzamento constante de referências marca de forma determinante o sucesso deste segundo álbum, desde o manual pop que é Pet sounds, passando pelas tradições culturais quenianas até chegarmos ao imenso legado aborígene. Ryan canta em maori, em dialectos tribais quenianos, recorre às melodias que perduraram do primeiro álbum homónimo, e em Oh mojave ainda arrisca uma espécie de híbrido entre o flamenco e ritmos africanos. As fórmulas estão longe de ser simples, como se prova desde logo em Blue penguin, mas o resultado é solarengo e vibrante. Eis o segundo capítulo de Vampire weekend, à distância de um hemisfério.





Deataque ainda para mais dois nomes que marcaram as últimas duas edições do Metro de Quarta-feira: Marla Hansen e Fanfarlo. A primeira, com uma já longa carreira enquanto instrumentalista, tendo participado em trabalhos de Sufjan Stevens, The National ou The New Pornographers, sempre nessa qualidade, edita o seu primeiro EP a solo, intitulado Wedding day. Os segundos, oriundos de Londres, têm-se feito notar através das faixas que vão colocando no seu myspace e que têm gerado algum culto por parte de seguidores tão ilustres como David Bowie. Mais um nome para seguir com alguma atenção ao longo deste novo ano.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Pedimos desculpa pela emissão, a interrupção segue dentro de momentos

As emissões do Metro (e em particular as de sexta-feira) têm sido pontualmente adiadas, quer devido a emissões especiais nos 107.9FM ou pela impossibilidade absoluta de estarmos em estúdio (infelizmente, não vivemos disto...). Neste início de ano, as emissões (de terça a sexta) têm sido marcadas por uma revisão daquilo que mais gostámos de ouvir em 2007, percorrendo as várias sonoridades que atravessam o programa.


Aqui fica o resumo das primeiras emissões do Metro de sexta-feira em 2008: as duas primeiras com alguns discos que incluimos da nossa "lista dos melhores"; e finalmente a emissão desta semana, com o destaque a dois lançamentos que marcam de forma promissora o início mais um ano discográfico.

Metro: sexta.11.janeiro.2008


El
liott Smith: New Moon
"Pretty Mary K (other version)"



Ben and Bruno: 100 Grim Reapers

"Pac
k of Light Blue Birds"



PJ Harvey: White Chalk

"White Chalk"





Rio en Medio: The Bride of Dynamite

"Joe Was on the Plane"





Nina Nastasia & Jim W
hite: You Follow Me
"There is No Train"




Bowerbirds: Hymns For a Dark Horse
"Hooves"



Arcade Fire: Neon Bible
"My Body is a Cage"




Metro: sexta.25.janeiro.2008


Panda Bear: Pe
rson Pitch
"Comfy in Nautica"



Joanna N
ewsom: Joanna Newsom & The Ys Street Band (EP)
"Colleen"



Iron and Wine: The Shepherd's Dog
"Caroussel"




Beirut: The Flying Club Cup
"In the Mausoleum"





Andrew Bird: Armchair Apocrypha
"Scythian Empire"




Colleen: Les Ondes Silencieuses
"This Place In Time"




Of Montreal: Hissing Fauna, Are You The Destroyer?
"The Past Is a Grotesque Animal"



Metro: sexta.1.fevereiro.2008



Cat Power: Jukebox
"New York"
(disc 1)
"Silver Stallion" (disc 1)
"I Feel" (disc 2)




Xiu Xiu: Women As Lovers
"Puff and B
unny"
"F.T.W."
"Master of the Bu
mp (...)"





a propó
sito da banda sonora de "Juno"...
Moldy Peaches
"Anyone
Else But You"



escolhas de Inês Patrão e Pedro Arinto

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Me & Carla down by the schoolyard

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Annie Clark

Nas últimas semanas, o Metro de Quarta-feira foi feito de olhos postos no retrovisor. Um exercício de memória ou apenas o reencontro com alguns dos nomes que ao longo desta jornada nos habituámos a repetir, e incidentalmente se tornaram familiares. Nenhum deles se perdeu no passado. A maior parte ainda agora apareceu, confundem-se no seu próprio anonimato, e por isso o presente reveste uma especial e capital importância nestas edições de Metro.

E por não querer deixar fugir esse presente, eis alguns trabalhos que surgiram ao longo deste intervalo festivo que, de certa forma, nos afastou do trilho habitual do Metro.




Os Vampire Weekend de Ezra Koenig acabam de apresentar o seu primeiro video oficial intitulado A-punk. Estes quatro nova-iorquinos, talvez o projecto que acolhemos com maior entusiasmo nas últimas edições de Metro, entregaram a realização do mesmo à Hammer & Tongs, anteriormente responsáveis por videos dos Blur e Pulp. O resultado é frenético.



De um resultado surpreendente se reveste o mais recente registo dos Great Lake Swimmers, que têm permanecido na sombra de uns quantos nomes cuja capacidade para assinar um álbum como Ongiara é no mínimo duvidosa. O video de Your rocky spine é apenas mais uma extensão do cuidado que estes rapazes depositaram na construção de todo um imaginário que embala as suas composições.



A multitude de cores de Challengers, o novo clip dos New Pornographers, deve ser implícita a AC Newman, não encontrássemos também essa mesma marca no seu trabalho a solo, hoje por muitos considerado, a antecâmara deste recente álbum do colectivo canadiano. Nele as construções pop assumem o protagonismo, sem no entanto lançar uma sombra sobre a voz de Neko Case, que nos surge aqui mais laranja do que nunca...



.... click... click... click... click.... click... click... click... click... click... click... click.... click... click... click... click... click... click... click.... click... click... click... click... click... click... click.... click... click... click... click... click... click... click.... click... click... click... click... click... click... i... click.... click... click... click... click... click... click... click.... click... click... never... click... click... click... click... click.... click... click... click... click... even... click... click... click.... click... click... click... asked... click... click... your... click... click... click... click.... click... click... click... click... click... click... click.... click... click... click... name...


Até para a semana!

Pedro Sousa

... click.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Metro : sexta.7.dezembro.2007



Goldmund: Two Point Discrimination
"Leading"

"To"




Chris Garneau: C-Sides EP
"Love Zombies"
"Runt"

"Christmas Song"
"Island Song"



Rickie Lee Jones: The Sermon on Exposition Boulevard
"Lamp o
f the Body"
"Where I Like It Best"
"Donkey Ride"



Winte
r Family: Winter Family
"Auschwitz
" (cd1)
"So Soon
" (cd1)




por inês patrão

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Metro : quarta.5.dezembro.2007

Pale Young Gentlemen: Pale Young Gentlemen
"Clap Your Hands"
"Me & Nikolai"
"My Light, Maria"



The Octopus Project: Hello, Avalanche
"Snow Tip Cap Mountain"
"Truck" [download mp3]
"Black Blizzard/Red Umbrella"
"Mmaj"

"I Saw the Bright Shinies" [download mp3]
mais mp3 : aqui


Uma banda que edita por uma editora chamada Peek-a-Boo Records merece pelo menos uma audição de um disco. Gostamos de descobrir bandas assim (até porque geralmente acertamos): o nome da editora é "castiço", as capas dos discos são "deliciosas" e o site oficial vende pins e peluches desenhados por membros da banda. Depois lemos comentários assim...

"Like a lot of their 21st-century American contemporaries, The Octopus Project compensate for the inherent tiredness of the indie and electropop genres by infusing them with a giddy abundance of energy, with everyone playing frantically like the janitor’s about to pull the plug on them." [David Stubbs, eMusic]

...e não é preciso mais para lhes darmos uma oportunidade. Vale a pena descobrir a música (e podem começar já pelo novo álbum) e visitar o site oficial (para descobrir outras coisas e sacar mp3). Diz que ao vivo também são muito bons :)


A propósito da passagem destas meninas por Portugal...




Au Revoir Simone: The Bird of Music

"Night Majestic"






Já tínhamos
avisado que estes não eram concertos vulgares. São Take-Away Shows da Blogothèque!

Emissão entusiasticamente partilhada por Carla Lopes e Inês Patrão

sábado, 10 de novembro de 2007

Annie one i love



St. Vincent Marry me


Sobre a Annie Clark desejo apenas escrever algo frágil. Algo que resgate esta Marry me da penumbra daquele quarto parisiense no qual se esconde. Que reponha entre a pontuação os seus silêncios. Encerrando em cada palavra o despojamento que encontramos na sua voz. Perpetuando na escrita cada acorde. Cada pormenor que faz dela uma habitual e nocturna companhia. De corpo frágil. Guitarra desalinhada. Algo que me denuncie.



St. Vincent Paris is burning

While Jesus is saving i'm spending all my days, in backgrounds and landscapes with the languages of saints. While people are spending like toys in Christmas Day, and inside a still life with the other absentee. You go my love, the stage is waiting. Be the one to save my saving grace.

Pedro Sousa.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Metro : terça.11.setembro.2007

Interpol: Turn on the Bright Lights (2002)
"NYC"


Mirah and Spectratone International: Share This Place: Stories and Observations
"Comm
unity"
"Gestation of the Sacred Beetle"
"My Prize"

"Luminescence"


links:
Pitchfork (crítica)
Stereogum (notícia + mp3's)
Obscure Sound (blog)




Chris Ga
rneau: Music For Tourists
"First Place!!
!"





Scout Niblett: This Fool Can Die Now
"Do You
Want To Be Buried With My People?" (feat. Will Oldham)
"Moon L
ake"
"Dinosaur Egg"



Realização e locução: Inês Patrão e João Terêncio

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Fogo e gelo


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In our bedroom after the war

Brevemente o vento soprará frio de Outono em Montreal.
No mesmo cenário duro, com uma mesma melancolia urbana que traça a giz contornos adolescentes de futuras personalidades, os Stars lançam mais um eco de uma tal de poesia quotidiana em forma de disco. “In our bedroom after the war” segue fielmente o desejo de contar com travo amargo e rasgos de humor e ironia, a crueza das relações humanas, como tão bem já o tinham feito em “Set yourself on fire” (2004). Mas não se esquiva de assumir, com igual subtileza que ferra, uma posição política.

Dentro do “quarto” estamos agora seguros e abrigados, mas não está esquecido o que se passou lá fora. Dentro do “quarto” está quente, está um calor que os Stars deixam percorrer estas canções, como a bonança depois da tempestade.

Começa na alquimia de vozes – Torquil Campbell e Amy Millan estão mais cúmplices que nunca, e o que dizem exige ser ouvido. As letras arrebatam e obrigam a um silêncio, para que se escutem as palavras e se construam cenários. Os arranjos ganham força pelo despojamento e produção polida, onde nenhum instrumento está a mais e o colectivo brilha ao trabalhar fórmulas pop, daquelas que nos habituámos a ouvir saídas das guitarras e teclados de uns Eels, que tal como os Stars, nos habituaram a uma densidade, que parece ter ficado para trás na invenção das novas tendências da pop contemporânea. A música de “In our bedroom after the war” tem carga emocional, positiva ou negativa q.b., e vem sacudir o frio de Montreal – os Stars oferecem uma redenção em forma de música como nunca tão bem tinham feito, e que manterá quentes os ouvidos e a alma neste Outono.



What is free to a good home?

A voz de Emily Haines poderia perfeitamente bastar para se prestar uma boa parte de atenção a “What is free to a good home?”, EP onde a música é minimal, entre um piano e uma guitarra e uma das mais enigmáticas e interessantes intérpretes do Canadá actualmente. Existe uma aura à volta de Emily muito para além da evidência das melodias simples e pouco ambiciosas – existe uma suavidade que consegue ser visceral e uma doçura hipnótica. O que fomos conhecendo do seu trabalho com os Metric e Broken Social Scene aparece aqui reduzido, num registo despido em formato confessional, íntimo, um one woman show, dedicado à memória do seu pai, o poeta Paul Haines, de quem aqui canta alguns versos. E quando se chega a ver algum registo de Emily Haines & the Soft Skeleton ao vivo, já se adivinhou há muito que ela tem algo de especial.



In our bedroom after the war (Arts & Crafts; 2007)
01. the ghost of Genova Heights
02. the night starts here
03. personal
04. take me to the riot
05. bitches in Tokyo


What is free to a good home (Arts & Crafts; 2007)
01. rowboat
02. the bank
03. sprig


Autoria e realização de Carla Lopes e Pedro Sousa

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Metro : terça.4.setembro.2007


George Thomas and the Owls: Concert for Two Bicycles
"The Story of the Anemone and the Nematodes"
"In the Dirty Sunshine"
"Washing Line Song"




Lamb: What Sound (2001)
"Small"

Lou Rhodes: Bloom
"Never Loved a Man (Like You)"
"Bloom"




Ani
mal Collective: Strawberry Jam
"Peacebone"
"Cuckoo Cuckoo"
"Derek"






vídeo: "Peacebone" (single)

Primeiro Metro a 3 pelo trio de 3 elementos: Inês Patrão, Carla Lopes, Emanuel Botelho

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

The wednesday's party punch

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Austin welcomes you pilgrim!

Gotemburgo, Sheffield, Glasgow, Montreal, Portland, Austin... O fenómeno é recorrente. Encerra a geografia e as próprias circunstâncias do presente, demarcando o espaço físico de um rol de autores e, consequentemente, das suas criações. Estas passam a identificar-se com a cidade, absorvendo as suas características, entrelaçando-se com ela e projectando-a no imaginário de quem as escuta. Por isso, a Sheffield que conheço é industrial e proletária, cinzenta ao final do dia, de ruas estreitas e claustrofóbicas. É a cidade que Jarvis Cocker descreve. A mesma dos Futureheads e dos Field Music. Assim como Gotemburgo pertence a Jens Lekman. Glasgow a Stuart Murdoch ou Isobel Campbell. São eles que traçam o seu perímetro.

Este é também o caso de Austin. Que factor é este que potencia um tão efervescente ritmo criativo, nos domínios da indie folk e da indie rock? E o que coloca esta cidade à margem daquelas que partilham consigo um mesmo território, como Dallas, Houston ou San Antonio? Qualquer que tenha sido a raiz deste movimento, sem dúvida que o contacto próximo entre os vários projectos, e a sua propensão para se ramificarem, contribuiu para que o roteiro indie de Austin crescesse. Tomemos o exemplo de um projecto que já passou pelo Metro de Quarta-feira: os Voxtrot, liderados por Ramesh Srivastava, que assina todas as composições, abrindo assim o espaço necessário para que coexista a indie folk dos Sparrow House de Jared Van Fleet, guitarrista dos Voxtrot. Ou mesmo o caso dos Ola Podrida, projecto de indie folk de David Wingo que reúne alguns músicos de Austin, de entre os quais Andrew Kenny, baixista e força criativa dos American Analog Set. As colaborações multiplicam-se pela cidade, remetendo-nos para a prática da Elephant 6, colectivo de songwriters que em finais da década de 90 colaboravam entre si, da qual nasceram projectos como os Of Montreal, The Ladybug Transistor, The Essex Green ou Apples In Stereo.

Hoje, a lista de nomes que emergem de Austin é bastante numerosa e relevante, encontrando-se em constante actualização: aos já referidos Voxtrot, Sparrow House, Ola Podrida e American Analog Set, seguem-se Dana Falconberry, St. Vincent, Peter & The Wolf, Bill Baird, Brazos, The Black, Martin Crane, Tacks The Boy Disaster, The Early Tapes, Sound Team, Midlake, Jracula, The Octopus Project, ...And You Will Know Us By The Trail of Dead, Yellow Fever, Oh No! Oh My!...

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Estes últimos mereceram o destaque na edição do Metro desta semana. Projecto formado por Greg Barkley, Daniel Hoxmeier e Joel Calvin, acabam de editar um EP intitulado Between the devil and the sea (saiu a 7 de Agosto pela Dim Mak Records). Após algum entusiasmo em redor do seu primeiro álbum homónimo, os Oh No! Oh My! decidiram contornar a crónica dificuldade do segundo longa-duração, apostando na gravação de algumas faixas que integrariam este EP. Deste modo conseguiram que este trabalho surgisse como uma extensão do álbum de 2006, e não como uma repetição da mesma fórmula. Nas cinco faixas que o compõe encontramos a mesma indie pop desconcertante que caracteriza esta banda, algo caótica nas suas estruturas e, por vezes, saudavelmente imatura. Os coros, deliciosos de tão infantis que são («uh! uh! hey hey! wher'dya go?»), sustentam contagiantes melodias, como é o caso de The party punch, nas quais os banjos, mandolins, palmas e teclados vintage se perdem no território folk do Midwest.





The Ghosts Blue birds blood (Stolen recordings ; 2007)

01. so so glad you came
02. love will come to town
03. go out in the streets
04. penny falls
05. Paris in the spring

Nick Drake

01. the thoughts of Mary Jane

Oh no! Oh my! Between the devil and the sea EP (Dim mak records; 2007)

01. oh be one
02. the party punch
03. the bike, sir!
04. i have no sister
05. a pirate's anthem

The Ghosts myspace
Oh no! Oh my! myspace

Para a semana voltamos com mais dois destaques.

Autoria de Pedro Sousa e Carla Lopes